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Aviso para navegantes: declaramos naufragada a propriedade privada. É o inicio de uma nova era post-capitalista.

Aviso para navegantes:
declaramos naufragada a propriedade privada.
É o inicio de uma nova era post-capitalista.

Colectivo Crisis

// Terras yermas e casas que caem. Repovoemos novas ideias.
Organiza-te! Juntos podemos!

http://www.17-s.info/es/repoblacion //

A crise tem muitas leituras e temos que evitar a mais derrotista. Há um sistema económico e depredador que colapsa. A inércia faz-nos pensar em reformá-lo, a criatividade há de levar-nos a fazer nascer um novo. O velho mundo já não dá mais de si e a crise dá-nos a oportunidade de explorar outro, mas desta vez atendendo por fim aos valores de solidariedade universal e prevalência do bem comum.
Este sistema económico faz águas por doquier e deveríamos deixar de pretender reflutuá-lo. Pode seguir alguns quilómetros mais à deriva, mas tarde ou cedo se afundará. O progresso individual à custa do colectivo não tem futuro, a própria vida e as leis da natureza demonstram-no. O que não é sustentável naufraga e as claves desta sustentabilidade são a preservação da natureza e a primacía do benefício colectivo. Este é um sistema que começa a afundar; temos claro o direito a lhe pedir que nos dê comida e tecto, que nos permita manter o nível de vida consumista, mas não podemos esperar que o faça por muito tempo, porque se acabará afundando e nós com ele. É simples que não nos tirem o posto de trabalho, mas duvidamos que seja o momento da queixa megafone em mão. Acreditamos que é o melhor momento de pôr a trabalhar a nossa imaginação para visualizar outras actividades produtivas, outra cidade, outro campo, e recomeçar a construi-lo!

Primeiro de tudo, discernir o que está em crise e o que não está.

Está em crise a especulação da habitação. Não o está a necessidade de tecto e de refúgio. Há uma falta de postos de trabalho assalariado, mas sobram áreas importantes por fazer. Entre tanto uma grande quantidade de gente luta para poder pagar sua hipoteca, milhares de habitações deitam-se a perder porque os seus proprietários nem as utilizam nem as querem vender.

Está em crise o trabalho assalariado. Não o está a necessidade de alimentar-nos. Entre tanto milhares de pessoas ficam em casa esperando que alguém lhes venha dar trabalho, nos arredores de muitas vilas e cidades, grande quantidade de terras permanecem abandonadas, quando para cultivá-las só ia fazer falta o tempo que agora a muita gente lhe sobra.

Está em crise a produção industrial. Não o está a necessidade de usar os produtos. Entre tanto, um número inimaginável de objectos deixam de ser utilizados em quanto se estropiam ou chateiam ao comprador, milhares de operários não os arranjam porque ninguém os paga. Quem trabalha grátis para alguém que depois não o partilhará?

Pisos vazios, terras abandonadas, objectos em desuso. Que têm em comum? Que o seu proprietário prive o uso a terceiros, sem fazer uso próprio. A maior crise é a da propriedade privada como pilar central das relações económicas e das sociais.

Como alguém atrever-se a dizer que não se pode fazer nada com esta crise? Como os banqueiros e os políticos se atrevem a pedir-nos que confiemos num sistema tão estúpido? Que a economia anda mal? O que vai mal é o capitalismo! A compatibilidade entre plusvalía / inflação, acumulação de capital e especulação por parte dos ricos versus consumismo com direitos económicos e sociais por parte do povo, tem-se acabado!
Isto só era possível quando com os ingressos do futuro se pagavam os gastos do passado; é dizer, só através de um crescimento que já não pode continuar.

Agora do que se trata é de manter o benefício capitalista para uns quantos ou recuperar uma vida digna para todos. As duas coisas à vez não são possíveis, pois sua aparente coexistência era fruto de uma farsa, a farsa de um crescimento baseado no crédito e no espólio da natureza.

Declaração de uma nova era post-capitalista

Agora já sabemos que não podemos resolver um problema da mesma maneira de pensar que o criou. Então, a solução está em pensar de uma maneira nova, não é? Pois vamos lá:
A partir deste momento proclamamos nossa rebeldia contra o velho mundo e declaramos naufragada a civilização da propriedade privada em desuso. Dado que os estados insistem em perpetuar este modelo inviável, os e as declarantes rebocaremos o depósito de soberania que lhes havíamos outorgado como povo.
E assim inauguramos uma nova civilização, a das necessidades e o direito de uso. Todos tiram direito a fazer uso daquilo que precisem se ninguém está a usar. Todos serão proprietários daquilo que usam e se são várias as pessoas que o utilizam será uma propriedade comunal. Os conhecimentos passarão a ser livres e todos os poderão usufruir.
Declaramos iniciada uma nova era post-capitalista, a era do direito de uso, da economia dos recursos e os bens comuns. Será fazendo uma boa gestão dos recursos que o capitalismo mal utiliza e que cabe partilhar de modo a convertermos a crise numa mudança positiva.
Terras sem cultivar, pisos vazios, casas inabitáveis, objectos abandonados, comida tirada, energia mal utilizada, carros com um só ocupante, vilas por repovoar, cultura privada de liberdade. Por tudo isto é necessário construir uma nova economia para um novo mundo. Um mundo no qual temos muitas coisas por fazer.

Desde a autogestão popular construiremos a plena ocupação. Todos teram coisas que aportar ao bem comum e cada um recebera aquilo que precisa: chão, calor, comida e agua, principalmente. Juntas partilharemos o que sabemos e aprenderemos de novo. Disfrutaremos do prazer de partilhar, relacionarmo-nos e querermo-nos. Recuperaremos o gosto pelo saber viver, que o tacto dos cartões de crédito nos tinha feito perder.
Isto não é uma nave de loucos, de facto não afirmamos nada diferente do que nos estão recordando os indígenas de América, aqueles a quem temos arrebatado a mãe terra desde hà mais de quinhentos anos.

Extracto do ‘Chamamento desde os Povos Indígenas frente à Crise da Civilização Ocidental Capitalista’. “Urgem novos paradigmas de convivência e nesse contexto, não só “outros mundos são possíveis”, senão que são urgentes, e ademais, estão sendo já construídos desde as primeiras vítimas das formas mais bárbaras da violência capitalista/colonial/moderna e contemporânea: Os Povos e Comunidades Indígenas, Originários, Campesinos, Riberenhos, Quilombolas, Afro descendentes, Garifunas, Caboclos, Dalits, entre outros; e seus filhos que emigraram às bairradas /favelas pobres das cidades; e todos os demais excluídos, invisíveis e “intocáveis” do planeta; quem seguimos resistindo, fortalecendo e actualizando formas alternativas de organização social, tecnológica, ética, política, económica, cultural e espiritual da existência humana.”

Com esta inspiração viva ocupa-nos a tarefa inaprazável de construir aqui e agora uma forma de vida própria dos diversos povos de Ocidente, com novos valores, novas instituições e novas ilusões. Este processo instituinte não começa agora, mas é com esta publicação que queremos lhe dar um forte empurre para que culmine com a constituição, por parte de um grande número de pessoas, de uma nova forma de nos organizarmos em sociedade.

Isto NÃO é um ataque contra ninguém. Todos nos podemos equivocar, e a ninguém podemos negar o direito a uma segunda oportunidade. Mesmo que eles não a deram no seu momento.
Esta SIM é uma chamada a que todos os tripulantes e passageiros que pensem, sintam ou precisem desta mudança se ponham connosco a construir novas embarcações mais estáveis antes que este “Titanic” acabe de afundar.
Ante a mudança da civilização, cada um há-de ressuscitar seu papel na vida.
Agora ou nunca, sejamos a mudança que queremos ver no mundo!
postcapitalista@sincapitalismo.net

//Acabaremos com os latifúndios, reabilitaremos as casas, semearemos a terra e cuidaremos os bosques. Partilharemos as ferramentas, libertaremos o conhecimento, autoproduziremos a energia, repartiremos aquilo que é básico. Cuidaremos dos débeis, trocaremos o tempo, ofreceremos sorrisos./

:::::::::::::::::::::::::::::::: Imatge::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Fazendo uso da nossa soberania como povo, estabelecemos um período de transição para que todos se habituem à ideia e quem quiser possa incorporar-se neste movimento post-capitalista. Os detalhes desta transição para abandonar o velho mundo e começar a viver segundo este novo paradigma, os encontraremos nas páginas centrais.

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