Movimentos sociais constroem alternativas ao sistema dominante
As atividades cada vez mais vão além dos protestos, para se tornarem a prática autônoma de uma nova sociedade.

Os movimentos sociais hoje
Como vimos nas páginas anteriores, vivemos numa sociedade em que os poderes estabelecidos controlam os canais formais de participação política e da vida pública: governo, eleições, partidos, os meios de comunicação, o sistema judicial. É nestas condições que surgem e se esforçam para ganhar espaços de ação e de vivência diversos grupos de pessoas organizadas de forma independente do mercado e do Estado, com o objetivo de denunciar o atual modelo social e, ao mesmo tempo, pesquisar e fortalecer alternativas. Estes são o que chamamos movimentos sociais.
Podemos relembrar o passado de alguns movimentos sociais que procuraram e, em alguns casos específicos, alcançaram melhorias no sistema sem mudar a sua estrutura básica (como pode ser o caso, por exemplo, dos sindicatos e dos movimentos ecologista, feminista e antimilitarista). Mas, agora, uma massa crítica mobilizada está sendo gerada, não por causa de um único problema, ou para pressionar o estado para que legisle e execute medidas concretas, senão para compartilhar uma visão crítica do sistema capitalista como um todo, e pôr em andamento uma transformação radical, não para ser escrita em livros e documentos, mas para ser posta em prática no dia-a-dia, nos aspectos da vida onde isso é possível, que a cada momento são mais.
Atualmente, a maioria dos movimentos sociais emergentes se organizam a partir de coletivos locais, com base em assembléias e de caráter autônomo. Têm identidade muito viva e diversa, com participação de pessoas de diferentes idades, e criam novas práticas e discursos genuínos.
Nestes novos movimentos sociais, queremos praticar uma democracia verdadeira, onde as decisões são tomadas por aqueles que são afetados por elas. Pensamos que as alternativas que levantamos entre nós não são aceitáveis para o capitalismo, o sistema que tenta influenciar tudo em nossa vida. Não nos parece que as coisas possam ser consertadas propondo reformas que tenham como objetivo apenas melhorar as instituições existentes e suas leis. Propostas desse tipo já existem muitas, desde muito tempo. A questão é que quem teria que levar a cabo estas transformações são as forças políticas perpetuadas que governam graças ao poder das corporações transnacionais e especialmente dos bancos. Consideramos suficientemente provada a paralisia da política institucional, submetida a todos os níveis de poder dentro do sistema, e rejeitamos esta via como um meio de transformação social. Os partidos políticos parlamentares, portanto, representam um ponto de vista diferente do nosso.
Não somente temos reivindicações maximais e de transformação global da sociedade, também pensamos que determinadas ações concretas podem ser bons passos em uma direção que nos leve mais próximos destas reivindicações. Mas como não acreditamos na vontade política dos governos para assumir nossas demandas, nos afirmamos na desobediência civil, na autonomia, e na autogestão como formas de luta, experimentação e construição de alternativas concretas, tal como se vem fazendo em diversos movimentos sociais nos últimos tempos.
A seguir apresentamos diversos exemplos de mobilizações e lutas que atualmente são geradas pelos movimentos sociais.

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